6 de jul. de 2010

Uma família de verdade

Sinto que agora posso contar a alegria que vem crescendo em mim há algumas semanas.
Já está mais que confirmado, depois de quase 6 anos de casamento, Deus nos deu um lindo presente: estou gravidíssma!
A notícia veio em forma de presente no Dia dos Namorados e desde então tenho vivido um início sonolento e bastante nauseante de gravidez. Mas isso não é nada perto da alegria que estamos sentindo, (nós e toda a nossa família), e quando penso na minha família ainda fico triste porque sei que meu pai ficaria todo orgulhoso e feliz se ele estivesse aqui.
E a torcida pelo sexo do bebê está bastante dividida... meu sogro jura que vai ser uma menina, já o meu irmão tem certeza que será um menino, e eu também estou bastante dividida, antes achava que seria uma menina, mas agora penso que também pode ser um menino... Seja o que for já estou feliz por essa nova vida que estou gerando e que complementará a minha família.

5 de jul. de 2010

Fechando ciclos

" Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. " (Fernando Pessoa")

10 de jun. de 2010

O ginásio

Ela era assim.
Às vezes preenchia e ás vezes faltava.
Tinha mania de contar os dias e ás vezes vivia os dias que esquecia de contar.
Sobrevivia.
Sempre achava que ia morrer daqui a pouco...
E acabava vivendo daqui a pouco também.
E quando ela tinha certeza que acabava, é que tudo começava... algo segredava em seu coração que enquanto os seus lábios não viajassem lentamente de encontro aos dele, como dois planetas condenados a colidir pelo efeito da gravidade, ela não partiria desse universo.
E ela sabia que a colisão deveria ser breve, pois logo ela abandonaria o colegial.

Ela era de uma capacidade inimaginável de sonhar.

Vimos uma margarida e nem sequer era Primavera
E disseste que margarida é amarelo e branco
E eu disse que branco era paz
E disseste que amarelo era desespero
E dissemos quase juntos
Que margarida era então
Desespero cercado de paz por todos os lados
(Caio Fernando Abreu)

1 de jun. de 2010

Nunca mais é um ''até logo'' que desistiu de esperar

Volte para o seu mundo perfeito e feliz, pra sua vida feita de castelos e mentiras, que é lá o seu lugar. Por aqui há verdades e sentimentos demais pra você. A vida não é feita de sonhos e as palavras foram inventadas para serem usadas, especialmente quando se precisa dizer algo a alguém. Guarde o seu desprezo para os políticos corruptos, para os assassinos de criancinhas e para as mães que abandonam seus filhos, não para alguém que só te amou.

Mia tinha uma porção de manias esquisitas
De inventar estórias tristes e curtinhas.
Tinha mania de sonhar, escrever e de voar
Mia voava enquanto dirigia e nas aulas de economia.
Mas o que ela mais gostava
Era de voar de noitinha, quando ninguém ouvia.

Mia tinha mania de imaginar...
E quando ria muito, sabia que logo iria chorar.

"Oh! Oh! Seu Moço!
Do disco voador
Me leve com você
Pra onde você for...
Oh! Oh! Seu Moço!
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por ai..."(Raul Seixas)

17 de mai. de 2010

Esconderijo

O que fazer das incontáveis mortes cotidianas, da qual esta sonhadora e nostálgica mulher não passa de alvo assinalado pelo X da sorte de todo o nó de solidão sufocante? E que mesmo diante da opressão, do saqueio e do abandono, responde com um sorriso tolo nos lábios da vida que explodirá em 30 no próximo dia vinte e dois.

Uma vida secreta que cozinha errante seus grãos e contagia com amor as imagens que vê refletida diante do espelho. Em cada linha escrita, decifro esse caminho com fortuna enquanto invento imagens de poesia com o brilho da luz dos olhos que já brilharam um dia. Trato de deixar em cada palavra dolorida o sumo do coração... da devoção e do deslumbre desmedido em escrever.

Que seja mais uma dessas lições com as quais o destino costuma nos surpreender e que nos " esfrega na cara” a nossa evidente condição de meros joguetes de um fado indecifrável cuja única e desoladora recompensa costuma ser, na maioria das vezes, o desprezo e o esquecimento. E já que é assim: que venha os trinta.

Assiti meu filme preferido A herança de Mr. Deeds, enquanto a música se repetia insistentemente: Procuro a solidão, como o ar procura o chão, como a chuva só desmancha pensamento sem razão. Procuro esconderijo encontro um novo abrigo como a arte do seu jeito e tudo faz sentido. Calma pra contar nos dedos, beijo pra ficar aqui, teto para desabar, você para construir.

14 de mai. de 2010

O convite

Ela o beijou. Seu beijo era um convite.
E ali mesmo, na sala, despiram-se com sofreguidão, com raiva e desejo. Acariciando-se um ao outro e desfazendo-se em silêncio de palavras doces e apaixonadas.
Conheciam de cór cada parte de seus corpos e enterraram todo aquele tempo de sofrimento e separação, em suor e saliva.
Ele a beijou com fúria, segurando-a docemente pelos cabelos num misto de fúria e cuidado. E ela o recebia de olhos abertos, com as pernas enlaçadas em seu corpo e os lábios entreabertos de ânsia e desejo infinitos. Não havia sinal de criancice em seu olhar, em seu corpo trêmulo que ainda pedia mais.
E em seu coração ela se perguntava se a felicidade seria apenas um produto de sua imaginação.

Mil velas podem ser acesas com uma única vela,
E a vela não será por isso, mais curta.
A felicidade nunca mingua por ser compartilhada.
Eu acho.

12 de mai. de 2010

Carta de amor

Há alguns anos, encontraram um saco cheio de cartas que haviam deixado de ser entregues aos seus devidos destinatários. Cartas que deveriam ter sido entregues há quase 70 anos atrás, o que pode-se dizer de quase uma eternidade, pensando em quem as esperou.

O diretor dos Correios teve de fazer declarações para conter o escândalo.

Ele disse uma enorme besteira: "ninguém precisa se preocupar, não havia entre elas nenhuma carta de amor".

"Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada" (Clarice Lispector)

10 de mai. de 2010

Tolerância

"Há um lugar onde termina a calçada
Antes de começar a rua
Ali cresce a relva clara e macia
Ali arde o sol quente e purpúreo
E ali dorme o passáro-da-lua
Depois de longa viagem
No vento de hortelã." (Shel Silverstein)

Vivo aproveitando esse tempo de descanso e paz.
Viajei demais e já corri muito também mas hoje eu vejo e contos os dias que passam devagar, fazendo de mim uma pessoa mais tolerante e paciente.

28 de abr. de 2010

Relatividade

É relativo
Tudo é relativo e depende de você.
As coisas mudam com a sua imaginação.
Acertar varia com a forma de errar.
Estar de bem com a vida é relativo, isso também pode mudar.

É sábio cativar uma grande amizade, é relativo encontrar.
Viver é relativo, envelhecer, também.
Tristeza, nem pensar, depende de como interpretar.
Transformar momentos inesquecíveis é relativo, de tudo depende a forma de amar.


" No nosso idioma, as pequenas gentilezas,
como empurrar a cadeira para sentar ou amarrar os cadarços um do outro, já são suficientes para nunca esquecer os dias. '' (Fabrício Carpinejar)

26 de abr. de 2010

A viagem

Dera a partida em seu carro e saiu, como se quisesse agarrar o instante em seus dedos, com receio de que ele nunca mais pudesse ser seu. Por mais que pisasse com raiva o pedal do acelerador do seu automóvel, ele não conseguia acompanhar a velocidade de seus pensamentos que exigiam para si, instantes cada vez mais completos. Seus pensamentos, seus valores e sua concepção de vida cheia de nausea doce, a aprisionavam.

Seguia sem rumo pela estrada, sem saber o que estava buscando... por ora bastava saber que partira, embora não soubesse ainda para onde, o destino seria outro problema que ela resolveria depois.

Sentia a pressão fresca e fascinante do vento e nesse instante desejou ser pássaro. O calor fazia com que escorrece o suor entre os dois seios e o brilho do sol ardia em seus olhos. A vastidão da estrada sem fim parecia acalmá-la, regulava a sua respiração e ela finalmente cochilava dentro de si.

Lembrou de sua infância, de pessoas importantes que ficaram para trás e seguramente concluiu que ser gente grande era deveras complicado... talvez estivesse apenas com medo, porque não resolvera o caminho que iria tomar. De repente se lembrou que os desejos são fantasmas que se diluem imediatamente quando o bom senso entra em ação, então mais que depressa, pegou o primeiro retorno da estrada com um único destino: voltar para casa.

Já em sua cama, fica de olhos abertos durante algum tempo.
O sono demora para vir. Ela medita enquanto enxuga as lágrimas que descem de mansinha, com o dorso de suas mãos. Cobre-se com o lençol macio e lisinho que escorrega pelo seu corpo nu. E finalmente ajeita-se na cama. Fecha os olhos e diz boa noite ao céu de estrelas que ri baixinho de suas tolices.


Porque a vida pede passagem. Que seja eterno e terno, enquanto dure.